VICE Portugal

“A música é amor e não necessita de ser burocratizada”

O Marco da Garagem é um gajo de acção. Há 30 anos, 22 dos quais oficialmente, como gosta de frisar, começou um projecto para dar visibilidade a bandas de que gostava. Hoje, a coisa continua. Do Porto para o Mundo.

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“A música é amor”, diz-me Marco Martins, mentor da Garagem Records. Quem fala assim demonstra tudo e ele já leva três décadas disto na bagagem. “É até morrer”, garante o homem que quase o comprovou quando a dada altura ficou em coma e o projecto continuou a carburar. O Marco é um marco no panorama musical independente português, um homem do Norte com a força e determinação de mil cavalos em fúria. A editora Garagem não é uma arrecadação, é um cabrão de um sistema solar inteiro.

Um gajo não consegue estar quieto, falta qualquer coisa e as coisas à tua volta estão paradas. Nesses momentos, a grande pergunta é: o que é que vais fazer em relação a isso? Esta é a história de alguém que nunca foi de ficar parado, nem de se ficar a queixar no seu cantinho. Se não há animação, faz-se e monta-se a festa. Se não concordas com o panorama nacional dos media pois achas que se limitam a falar sempre dos mesmos e andam aí montes de outras propostas às quais ninguém liga um chavelho, pois então crias tu o teu próprio “canal de transmissão”, numa altura em que não havia Internet em casa, ou seja, em papel, à antiga e à unha.

Se ouviste falar numa série de bandas e nunca as viste ao vivo, apenas as ouviste por aí numas cassetes espalhadas, ou alguém te falou delas, mas o que curtias mesmo era que houvesse uma compilação com o que de mais original se faz pelo País, vais ficar à espera que alguém o faça, ou fazes tu? O Marco da Garagem – como é conhecido – fez tudo isso e muito mais. Não o vão encontrar com aquele discurso de entrepreneur das alavancagens disto ou daquilo, ou em pose de braços cruzados à empresário. Não. A luta faz-se no terreno. Até pode começar tudo numa garagem, mas depois não te chega e o Mundo não tem limites. É sempre a fundo, foda-se!

Numa altura em que a editora tem uma série de projectos na rua, incluindo o mais recente álbum duplo dos The Dirty Coal Train, falei com ele para que me explicasse como é que é isto de ter uma Garagem aberta há 30 anos.

 

VICE: És conhecido como o Marco da Garagem por causa da tua editora. A brincar a brincar, estamos a falar de quanto tempo? Quase 25 anos de actividade?

Marco Martins: Falamos de 22 anos oficiais, mas a estrutura Garagem já tem 30 anos, desde que comecei a organizar festas em matinés e noites de sextas-feiras.

Uma editora e também uma revista, como foi isso?

Conhecia muitas bandas de as ver ao vivo, sem discos editados, e nunca gostei de não ver desenvolvimento musical, por isso comecei com uma compilação das bandas de Portugal de que gostava e a revista ou magazine ou lá o que seja aconteceu mais devido ao meu conhecimento e gosto pela divulgação de novidades das fanzines e não tanto pelos jornais que só falam do que já é do conhecimento de quase todos os que ouvem música.

Qual foi a tua primeira edição discográfica e porque é que, na altura, decidiste avançar para tal empreitada? Que é como quem pergunta: como é que surgiu a ideia da Garagem?

A Garagem começou na altura do meu ciclo preparatório. Era uma escola que tinha bandas e onde se faziam montes de coisas musicais, o que me parecia ser bom. A partir daí, a Garagem saiu do armário para se mostrar…(risos).

Nesses anos 90 editaste algumas compilações. Presumo que a logística fosse bastante diferente e mais lenta em termos de comunicação. Como é que se processava?

Era mais lenta, mas com muito amor. E isso levava-me a procurar reuniões com entidades, como o Instituto Português da Juventude e afins. Era realmente uma coisa olhos nos olhos, na busca de apoio logístico. Nesse sentido, a Internet acabou por dar cabo desse lindo processo. Em vez de terem reuniões, agora lêem (ou não) os e-mails e nunca sabemos o que dizem, ou o que pensam. A música é amor, não tem um enorme dicionário de palavras e não necessita de ser burocratizada

Vou largar aqui alguns nomes de bandas portuguesas dos 90’s que, de alguma maneira, passaram por ti. Comenta as que quiseres, memórias, boas ou más experiências, apostas, esperanças, desilusões e estás à vontade para acrescentar outras estórias e bandas: Red Beans, Blue Orange Juice, BlindMan’s Buff, Hipnótica, Cio-Soon, Phase, Everground, Alien Picnic, Supernova, Toast, The Astonishing Urbana Fall, Sunwebbs.

Tudo é experiência positiva, seja ela boa ou má. É evolução e aprendizagem. Por isso, é algo que existe e constitui o processo de construção do que somos hoje (risos).

A Garagem esteve sempre em actividade nestas três décadas e 22 nestes 22 anos oficiais, ou houve momentos de pousio?

Nunca teve momentos de pousio. A Garagem fez sempre o que lhe apetecia, tirando na altura em que estive em coma em 2004 e, mesmo assim, havia toda a equipa da altura a fazer o que já tinha programado no escritório. Por isso, a maior acalmia nas actividades foi durante o meu processo de recuperação e reaprendizagem pós coma.

Entretanto, ficaste oficialmente conhecido como um dos, ou mesmo o maior fã dos The Parkinsons. Queres explicar como é que te cruzaste com a banda e o que é que já fizeste por ela?

Primeiro, fui friendly agent dos Tédio Boys e isso foi lindo, pois eles eram a diversão sem fins lucrativos. Quanto aos The Parkinsons, na altura já eram um marco no panorama musical. Fui ter com eles e disse: “Vamos lá fazer um álbum, porque eu quero”. Em seguida lancei um single e depois aquela que para mim é a maior obra deles, o “Rare Sessions”, gravado na BBC. Quanto a ser o maior fã, nunca posso saber se era ou sou o número 1, porque tive tantos “loucos” a quererem o disco…. Eu sou apenas um deles. Estou, isso sim, muito orgulhoso da maravilhosa Caroline Richards ter completado o documentário sobre a banda e de os ver agora com força novamente… Lindo!!!

Também albergaste os Subway Riders… Tens bandas fetiche?

Fetiche tenho: uma orgia musical dos Subway Riders, que tem um maestro genial que é o Carlos Dias. Que mais posso dizer? Na altura que os vi pela primeira vez eram três: Paulo Furtado, Victor Torpedo e Carlos Dias e se algum deles faltava, o Carlos convocava outros, como o Afonso Pinto

E eis que em 2018 se chega ao novo disco dos The Dirty Coal Train, Portuguese Freakshow, uma empreitada enorme, disco duplo, com uma panóplia de convidados impressionante. Foi uma questão de “A união faz a força”, já que é uma co-edição entre a Garagem e a Groovie Records? Fala-nos do processo.

Ohoh… a loucura Garagem Punk Blues e afins está toda nos The Dirty Coal Train. São enormes em palco e o impressionante é que o são também em disco. Quanto à questão da “união faz a força”, era bom, mas a força está nos The Dirty Coal Train, eles é que metem o carvão no comboio… o que é que posso dizer… nunca percam um concerto deles, nem nenhum disco!

O processo em si começou, na verdade, quando, em 2012, os convidei para tocarem no Dragão Caixa com os The Parkinsons. Foram magníficos. O Ricardo e a Beatriz transmitiram um poder louco para uma sala que atingiu as cinco mil pessoas. Pedi-lhes logo ali para fazer um disco. Calha que já tinham gravações para sair e surgiu a hipótese de fazer um disco de inéditos com eles (Same Old Lo-fi shit). Sempre os adorei e eles para este novo disco perguntaram-me: “Queres entrar nesta aventura?”. “Lógico que sim”. E o processo foi este. O resultado está aí. Tenho orgulho neles e em mim! (risos).

A questão inevitável dos planos para o futuro. A Garagem vai continuar a andar por aí?

A Garagem Records já tem previstas várias edições para este ano, dos Lobotomia (Brasil), Scúru Fitchádu e Dokuga. A Garagem em eventos e afins continua até eu cair (e me levantar em seguida…). Isto é, até morrer.

Toda site da entrevista @

https://www.vice.com/pt/article/8xewmv/a-musica-e-amor-e-nao-necessita-de-ser-burocratizada?utm_source=vicefbpt

O disco duplo ” Portuguese Freak~Show ” : The Dirty Coal Train

O disco duplo ” Portuguese Freak~Show ” : The Dirty Coal Train, teve lançamento no 4 de Maio .
È com muito e mais que muito orgulho que a Garagem Records está inserida, a dupla maravilha Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues fazem parte da minha familia pequena que é a garagem.com.pt, obrigado !!
Nada consegue parar o meu gira-disco, de ver este disco a tocar!!!

Compras :
https://dirtycoaltrain.bandcamp.com/al…/portuguese-freakshow ( Vinil / Digital )
https://garagemrecords.bandcamp.com/al…/portuguese-freakshow ( Vinil )
Porto Calling – Loja de Discos ( Vinil )
Louie Louie Porto ( Vinil )

The Dirty Coal Train – Brazilian tour 2016

The Dirty Coal Train second Brazilian tour, 18 venues, some festivals and wild partys allover…people at the other side of the Atlantic gets READY!!!

29/07 GIG – São Carlos/SP
30/07 Drinks and Parts – Poços de Caldas/MG
31/07 CDA BlackBox – Franca/SP
31/07 CECAC – Serrana/SP
04/08 TBC – Americana/SP
05/08 BOLT ϟ – Vila Velha/ES
06/08 Goiânia Noise Festival – Goiânia/GO
07/08 TBC Anápolis/GO
08/08 Caffeine Sound Studio (Record Session)
10/08 Quartas de Fuzzz – São Paulo/SP
11/08 Visceral Estúdio Bar – Sorocaba/SP
12/08 Villa Blues Jukejoint – Botucatú/SP
13/08 Bar do Zé – Campinas/SP
14/08 Garagera – São Paulo/SP
17/08 Sesc Ribeirão Preto/SP
18/08 SESC Piracicaba/SP
19/08 TBC – Passo Fundo/RS
20/08 OBRA Club – Poto Alegre/RS
21/08 TBC – Gravataí/RS

20 YEARS OF GARAGEM

20 YEARS OF GARAGEM > 18th June 2016 [ ANNIVERSARY ] !!!!!!!!!

THE REAL RETURN > BIG UP
X…..

20 YEARS OF GARAGEM W/ EATBRAIN NIGHT
https://www.facebook.com/events/139864009758349/
18 Junho 2016 – Hard Club, Porto

Durante 20 anos, a Garagem tem vindo a proporcionar noites de excelência nos mais variados generos musicais, tais como, drum and bass.
Tendo sido a promotora eleita pelo pelouro da capital europeia da cultura 2001 e 2012, a Garagem traçou um caminho invejável tendo organizado festas com os mais prestigiados DJs de todo o mundo.

Para celebrar o 20º aniversário, a promotora premeia assim a noite com a
estreia em Portugal da aclamada EATBRAIN NIGHT , nomeadamente representada pelo
JADE onde foi um dos elementos da extinta LIFTED SESSIONS, L 33 onde vai apresentar seu album “Karate” e Mc COPPA onde as suas palavras estão a enlouquecer em todo mundo os ravers com o seu dinamismo !!!

Ainda para apresentar as novidades do NEUROFUNK , GARAGEM DJS & FRIENDS vão
contagiar as pistas de dança com o seu som super energético.

Tendo já albergado os mais variados eventos desta promotora, ao longo
destes anos, a Garagem não poderia deixar de festejar os seus vinte anos
na sua casa, Hard-Club.

BILHETES :
PRE-VENDA : 10 EUROS
DIA : 15 EUROS

….. X

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PREVIOUS EVENTS
https://vimeo.com/39607590

 

O festival de todas as loucuras: Arcos de Valdevez, ano 2000 [ GARAGEM ]

Vamos a recordaçoes onde a Garagem foi 100% a oficial produtora!!

Tenho pena ou não que não falem desta loucura de festival !!

Encontrei um unico artigo simples, que mostra 10% do que realmente foi , pois muito mais aconteceu > a loucura visivel da cantina onde os artistas faziam a festa (antes e depois de dar o show em palco) pois todos podiam ver, e muito mas muito mais , e muito importante que só quem lá esteve sabe, os fotografos não tinham limites de photografar , não houve  palermices em que tinham só até a segunda musica  ( sabendo que os artistas nao se importavam ), etc,,,,!!

Einsturzende Neubauten > https://vimeo.com/90475113

BLITZ >

O festival de todas as loucuras: Arcos de Valdevez, ano 2000 [exclusivo online]

25.08.2013 às 10h00

Quartos de hotel destruídos. Nudez integral. Um rocker norte-americano a começar aí uma dependência química. Einstuerzende Neubauten tocam três horas. Recordamos um festival mítico… de que poucos se lembram.

A organização era de várias entidades da região, o nome não poderia ser mais espartano, sem qualquer menção a patrocinador: Festival de Arcos de Valdevez, mais um evento a juntar-se ao verão minhoto do ano 2000 (que contava já com Vilar de Mouros, Paredes de Coura e Ilha do Ermal). Anuncia-se investimento superior “90 mil contos” (450 mil euros), um cartaz composto por nomes firmados como The Fall, Primal Scream, Einstuerzende Neubauten e Death In Vegas, e um contingente nacional bem numeroso, dos Wraygunn aos Atomic Bees, de Rita Pereira (mais tarde Rita Redshoes). A imprensa local dava conta das altas expectativas, prevendo enchente, mas a afluência de público acabou por ser muito menor do que esperado (diz-se, inclusive, que algumas contas terão ficado por saldar…). Quem lá esteve trouxe, porém, boas histórias para contar. Gregg Foreman, vocalista dos rockers norte-americanos Delta 72, garante que nunca – como em Valdevez – se deparou com tanta oferenda tóxica na sua vida (não que os banhos de rio ou as jam sessions improvisadas até às tantas sejam pormenores de somenos) e chegou a confessar, anos depois, que o seu vício de cocaína começou ali. Os Primal Scream cancelaram, à última hora, o seu concerto, alegando ausência de Bobby Gillespie – Mani e companhia alegavam que o vocalista não conseguira apanhar voo para Portugal; alguma imprensa garantia que a voz de “Rocks” estaria em território nacional mas “impróprio para consumo”. Os Einstuerzende Neubauten disponibilizam-se para tocar “a dobrar” (e há uma bootleg de quase três horas que o confirma), eventualmente propulsionados pelo “milagroso” pó branco que rodava livre no seu camarim. Também galvanizados pelo espírito particular do festival, os The Fall causaram danos na pousada familiar onde ficaram instalados, tendo alegadamente jogado janela fora toda a roupa de cama e, incansáveis, pedido uísques às 8 da manhã. Os franceses LTNO (gente do electro-rock) também deram que falar, com episódios de nudez integral e farra noite dentro com groupies do Porto. Inebriado pela loucura generalizada, Paulo Furtado – homem forte dos Wraygunn – mostrou dotes de sapateado sobre uma mesa nos bastidores e foi depois avistado, desorientado, numa estrada solitária durante a madrugada. Dando prejuízo, o festival de Arcos de Valdevez não voltou, compreensivelmente, a realizar-se. Um grupo no Facebook chegou, entretanto, a reclamar o seu regresso. Percebe-se porquê.
Texto: Luís Guerra Excerto do artigo “As Melhores Histórias dos Festivais em Portugal”, incluído na BLITZ de agosto, nas bancas

 

Também o jornal Publico anunciava >

Alternativa em Arcos de Valdevez

“Primal Scream, Einstürzende Neubauten, Death In Vegas, Delta 72 e The Fall são os nomes principais da primeira edição do Festival de Arcos de Valdevez, … ”

“Entre a aposta alternativa e um cartaz recheado de estreias, um festival a ir de vez.”

, “…..propõe um dos mais ambiciosos cartazes em cena nos palcos de Verão portugueses.”

“Em jeito de aquecimento, o primeiro dia de Arcos de Valdevez decorrerá sob o signo da produção britânica. O destaque vai para o circo cacofónico de Mark E. Smith e dos seus The Fall, a lendária banda pós-punk britânica que após mais de 20 anos na estrada se recusa a entregar de mão beijada a sua mescla esquizóide e disfuncional de surrealismo com instrumentos em rota de colisão permanente. Antes actuam os Bentley Rhythm Ace e o seu embrenhado de big beat, hip-hop, funk e música exótica roubada a discos raros comprados nas famigeradas feiras “car boot” inglesas, e os LT.NO, filhos bastardos da união de Gary Glitter com os Nine Inch Nails e de Vince Taylor com os Aphex Twin, cuja música activa samples, desconstrói sons e conspurca circuitos electrónicos.

Os ânimos prometem aquecer no segundo dia do festival, com o palco principal a ser tomado por um trio de bandas estreantes em Portugal. E que bandas! A inaugurá-lo estarão os Cranes, quarteto de Portsmouth nascido numa altura em que a chama gótica estava já reduzida a cinzas e que nem a beleza furtiva da sua música conseguiu arrancar ao esquecimento. Entre o cerimonial fúnebre e a sensualidade austera, uma atenção muito especial para a presença da luxuriante vocalista Alison Show, cuja voz fantasmagórica de criança saída de uma sessão de “Poltergeist” derruba certezas e transforma toda e qualquer esperança num lugar distante. Fértil e poderosa, a máquina sexual dos Delta 72 trará de seguida as últimas propostas do novo rock nova-iorquino a Arcos de Valdevez. O equivalente “rhythm’n’blues” de Jon Spencer e respectivos Blues Explosion troca as margens do delta do Mississipi pela memória histórica dos Rolling Stones e dos Small Faces, mas à imagem de bandas como os Royal Trux – quiçá os grandes ausentes do ano festivaleiro português – e dos Railroad Jerk, os Delta 72 não se esquecem de conspurcá-los às mãos da marmita escaldante da música afro-americana. Uma actuação imperdível, assim como imperdível promete ser a descida às caves lúgubres dos britânicos Death In Vegas. A banda de Richard Fearless e Tim Holmes, actualmente a compor a banda sonora para a sequela de “Seven”, de David Finch, visita casinos em ácido, resgata metodologias de estúdio à Factory dos Velvet Underground e passeia a cacofonia de bandas como os Bauhaus ou os Swans por bosques escuros e labirínticos.

No seu último álbum, o milagroso “The Contino Sessions”, convidam o ouvinte a embarcar numa longa corrida por uma estrada perigosa com um acidente no fim. E como se já não bastasse, Iggy Pop e Bobby Gillespie são apenas alguns dos nomes que vão sentados no banco de trás. Gillespie e os seus Primal Scream são as figuras principais do terceiro e último dia do festival, que à imagem de qualquer ocasião que se quer grande promete ser o maior de todos eles. Espécie de compêndio de luxo que contém em si toda a história da música independente britânica ao longo das duas últimas décadas, os Primal Scream reciclaram o revivalismo “sixties” que pautou a sua fase inicial ao fundirem-no com as modernas texturas dançantes saídas do movimento acid-house, reinante em Inglaterra no final dos anos 80. O inovador “Screamadelica”, de 1992, é guardado como um marco incontornável na década pop britânica, o último grito fusionista que fez descer o rock às pistas de dança e que tornou a música de dança aceite no “mainstream”. Entre fusões neo-psicadélicas, militantismo esquerdista e a ingestão olímpica de drogas psicotrópicas, o último “XTRMNTR” é o exterminador implacável que assaltará o palco principal no último dia de Arcos de Valdevez. Antes actuam os Einstürzende Neubauten, a lendária formação alemã encabeçada pelo também guitarrista dos Bad Seeds Blixa Bargeld. Pioneiros do rock industrial, os Neubauten transformam palcos em fábricas imensas conspurcadas por gases perigosos e ruídos infernais, mas depois de 20 anos a poluirem atmosferas decidiram celebrar a história e reclamar que também o silêncio pode ser “sexy”. “Silence Is Sexy”, o último álbum de Bargeld e demais operários alemães, é o motivo que os traz de volta a Portugal. Teen Spirit, uma banda de versões dos Nirvana para consumo dos saudosos do tempo em que Kurt Cobain ainda não tinha comprado armas – há quem diga que são melhores que os originais… -, e os The Troggs, os míticos “rock’n’rollers” que aos 50 anos de idade continuam a capitalizar com o clássico “Wild thing”, fecham o cartaz do terceiro dia do festival.

Ainda no palco principal, os três dias serão encerrados com a actuação de “dee-jays”, destacando-se neste campo as presenças dos magos britânicos do “drum’n’bass” Grooverider, no primeiro dia, e da dupla Krust e MC Dynamite, no terceiro. Já no palco nacional, a programação de Arcos de Valdevez passa em revista uma série de promessas e de certezas da música independente portuguesa. Stealing Orchestra, Clockwork e Outbreak, no primeiro dia, Atomic Bees, Madame Godard e Table With Random Numbers, no segundo, e Wray Gunn, More República Masónica e Um Zero Amarelo, no terceiro, são as bandas em cartaz. Por tudo isto, vá de vez.

 

Tiago Luz Pedro

DOKUGA > MAXIMUM ROCKNROLL #397 • Jun 2016

Entrevista com os Dokuga> It’s time for MRR #397 • Junho 2016

“.And straight out of Porto, Portugal come DOKUGA, hardcore from the oft-overlooked end of the Iberian peninsula.”
Brevemente

Maximum Rocknroll #397 • Jun 2016

GARAGEM RECORDS > RELEASES

GARAGEM RECORDS > RELEASES
BUY IT >

Dokuga
https://garagemrecords.bandcamp.com/album/dokuga-2

The Dirty Coal Train – Same Old / Lo-Fi Shit
https://garagemrecords.bandcamp.com/album/same-old-lo-fi-shit

Subway Riders – Live Ep
https://garagemrecords.bandcamp.com/album/live-ep

Subway Riders – “Take me through Hell for I deserve it”
https://garagemrecords.bandcamp.com/album/take-me-through-hell-for-i-deserve-it

The Parkinsons – Rare Sessions
https://garagemrecords.bandcamp.com/album/rare-sessions

The Parkinsons – “City of Nothing” b/w “Some Fun”
https://garagemrecords.bandcamp.com/album/city-of-nothing-b-w-some-fun

The Parkinsons – Back To Life
https://garagemrecords.bandcamp.com/album/back-to-life-2

Crawler – 5 YEARS OF CRAWLER (Free Download)

This mix is to celebrate the 5 years of “Crawler” going through all the sub genres of DNB and Dubstep which I played during all this time, from 140 to 220 bpm.

Links:

garagem.com.pt/

www.facebook.com/afonso.silva.142
www.facebook.com/crawlerdnb/
www.facebook.com/garagem.com.pt/

Tracklist :
1- Noah D – Follow Me Now
2- Skream – Filth (DarkElixir Bootleg Remix)
3- Coki – Burnin
4- DJG – Rivet
5- Amon Tobin – Surge (16Bit Remix)
6- Current Value – Gonna Be Me
7- Sinister Souls & Erre – The Namek
8- Current Value – Invisivel Force (Nanotek Remix)
9- Balkansky & Sinister Souls – FM
10- Noisia – Machine Gun (16Bit Remix)
11- Doctor P – Tetris (Sinister Souls Scrambled Eggs Edit)
12- Killsonik – Bloodlust
13- Balkansky & Loop Stepwalker – Bass Surgery
14- Sinister Souls – Stattlecar Spectacula
15- Drumcorps – Grist
16- Centaspike – Human Centipede (Malicious Remix)
17- Current Value & Donny – Revolt & Riot
18- C-Netik & Syrinx – Hidden Sides
19- SPL – Soul Container
20- Noisia – Soul Purge (Current Value Remix)
21- Evol Intent – 7 Angels With 7 Plagues
22- Limewax – M.O.T.D.
23- Current Value – Therapist
24- The Sect – Axon (Audio Remix)
25- The Sect – Tyrant
26- Limewax – Poison
27- Forbidden Society – Facing Extinction (Current Value Remix)
28- Katharsys – Guidance (Forbidden Society Overkill Remix)
29- Current Value – Worms
30- Pish Posh – Corrupt Cops (Evol Intent Remix)
31- SPL & Noah D – Revolution
32- The Outside Agency & SPL – Separate Ways
33- Switch Technique – Devoted
34- Couterstrike – Extreme
35- Dylan – Virus (Dj Hidden Remix)
36- Limewax – Onkey (Audio Remix)
37- Brainpain – Manslaughter (Scamp Remix)
38- Dope D.O.D. – What Happened (Bong-Ra Remix)
39- Evol Intent – Street Knowledge (Eazy E VIP)
40- Evol Intent – Take That (Ewun Remix feat. Mental Sharp)
41- Technical Itch – Death Jazz VIP
42- Enduser – Manoeuvre (Dj Hidden Remix)
43- Ophidian – Abandon
44- Current Value – The Unknown
45- Cativo – Evil Has No Boundaries (Dj Hidden Remix)
46- Limewax – Big Bang
47- The Outside Agency – Soul Keepers
48- Limewax & Thrasher – The Expensive Squat Party Anthem
49- Current Value – Tunnel Vision (Donny Remix)
50- Zubcore – Prey (Switch Technique Remix)
51- I:Gor – Testify
52- The Outside Agency – The Flux Capacitor

GJUNKIE > SPRING TIME DNB < Sabado, 14 MAIO . Hard Club (Low-Cost)- 3€

GJUNKIE > SPRING TIME DNB < Sabado, 14 MAIO . Hard Club (Low-Cost)- 3€

GJUNKIE decidiu juntar os djs Garagem , dos mais antigos aos novos djs. Conceituados de DrumandBass portugueses de sempre para criar e celebrar o estilo musical que todos amamos, neste inicio de Primavera .

Não podemos esquecer um passado a um recente dnb, nada pode fugir a esta cultura DNB…trazer SUBWAY ( caged two years, which not let your art of drum and bass mix ) e já nosso habitual e delicioso misturador de DNB > FILIPE SARAIVA.

Mas a eurofia desta noite, é sem duvida a sua continuação na arte do confronto inovador de Liquid Funk ao Neurofunk e para isso temos NEAR B2B ATOMIC , JAGANNATH > e que shoot the pinch vamos ter???

E já agora atiramos um disco que em breve vai estar na nossa casa, na tua e sem escapar a quem não o deixar fugir , e quem são??? Logico o projecto > ABSENT <

Nunca deixamos o nosso convidado em ultimo grau, pois a comparação é sempre vossa, o meu e de muitos querido fantastico degolador DNB > HALLOWPATIK !!!

No próximo Sábado dia 14 de Maio vamos estar no Hard Club para a nossa visita às tshirts eheeh > SPRING TIME e o preço é apenas 3€.

BONE ZENO > GET ME SOME ACTION < PORTUGAL TOUR

BONE ZENO @

12th – Cave 45 [ Yeah > Western ] , Porto
13th – Republica dos kagados, Coimbra
14th – club 11 ,Vila Pouca de Aguiar
16th – TBA
17th – TBA
18th – Penedro da Sé, Viseu
19th – BluesFest, São Pedro do Sul
20th – Meu Mercedes, Porto
21st – Bar do Rio, Fagilde (near Viseu)

https://www.facebook.com/dbone66