O festival de todas as loucuras: Arcos de Valdevez, ano 2000 [ GARAGEM ]

Vamos a recordaçoes onde a Garagem foi 100% a oficial produtora!!

Tenho pena ou não que não falem desta loucura de festival !!

Encontrei um unico artigo simples, que mostra 10% do que realmente foi , pois muito mais aconteceu > a loucura visivel da cantina onde os artistas faziam a festa (antes e depois de dar o show em palco) pois todos podiam ver, e muito mas muito mais , e muito importante que só quem lá esteve sabe, os fotografos não tinham limites de photografar , não houve  palermices em que tinham só até a segunda musica  ( sabendo que os artistas nao se importavam ), etc,,,,!!

Einsturzende Neubauten > https://vimeo.com/90475113

BLITZ >

O festival de todas as loucuras: Arcos de Valdevez, ano 2000 [exclusivo online]

25.08.2013 às 10h00

Quartos de hotel destruídos. Nudez integral. Um rocker norte-americano a começar aí uma dependência química. Einstuerzende Neubauten tocam três horas. Recordamos um festival mítico… de que poucos se lembram.

A organização era de várias entidades da região, o nome não poderia ser mais espartano, sem qualquer menção a patrocinador: Festival de Arcos de Valdevez, mais um evento a juntar-se ao verão minhoto do ano 2000 (que contava já com Vilar de Mouros, Paredes de Coura e Ilha do Ermal). Anuncia-se investimento superior “90 mil contos” (450 mil euros), um cartaz composto por nomes firmados como The Fall, Primal Scream, Einstuerzende Neubauten e Death In Vegas, e um contingente nacional bem numeroso, dos Wraygunn aos Atomic Bees, de Rita Pereira (mais tarde Rita Redshoes). A imprensa local dava conta das altas expectativas, prevendo enchente, mas a afluência de público acabou por ser muito menor do que esperado (diz-se, inclusive, que algumas contas terão ficado por saldar…). Quem lá esteve trouxe, porém, boas histórias para contar. Gregg Foreman, vocalista dos rockers norte-americanos Delta 72, garante que nunca – como em Valdevez – se deparou com tanta oferenda tóxica na sua vida (não que os banhos de rio ou as jam sessions improvisadas até às tantas sejam pormenores de somenos) e chegou a confessar, anos depois, que o seu vício de cocaína começou ali. Os Primal Scream cancelaram, à última hora, o seu concerto, alegando ausência de Bobby Gillespie – Mani e companhia alegavam que o vocalista não conseguira apanhar voo para Portugal; alguma imprensa garantia que a voz de “Rocks” estaria em território nacional mas “impróprio para consumo”. Os Einstuerzende Neubauten disponibilizam-se para tocar “a dobrar” (e há uma bootleg de quase três horas que o confirma), eventualmente propulsionados pelo “milagroso” pó branco que rodava livre no seu camarim. Também galvanizados pelo espírito particular do festival, os The Fall causaram danos na pousada familiar onde ficaram instalados, tendo alegadamente jogado janela fora toda a roupa de cama e, incansáveis, pedido uísques às 8 da manhã. Os franceses LTNO (gente do electro-rock) também deram que falar, com episódios de nudez integral e farra noite dentro com groupies do Porto. Inebriado pela loucura generalizada, Paulo Furtado – homem forte dos Wraygunn – mostrou dotes de sapateado sobre uma mesa nos bastidores e foi depois avistado, desorientado, numa estrada solitária durante a madrugada. Dando prejuízo, o festival de Arcos de Valdevez não voltou, compreensivelmente, a realizar-se. Um grupo no Facebook chegou, entretanto, a reclamar o seu regresso. Percebe-se porquê.
Texto: Luís Guerra Excerto do artigo “As Melhores Histórias dos Festivais em Portugal”, incluído na BLITZ de agosto, nas bancas

 

Também o jornal Publico anunciava >

Alternativa em Arcos de Valdevez

“Primal Scream, Einstürzende Neubauten, Death In Vegas, Delta 72 e The Fall são os nomes principais da primeira edição do Festival de Arcos de Valdevez, … ”

“Entre a aposta alternativa e um cartaz recheado de estreias, um festival a ir de vez.”

, “…..propõe um dos mais ambiciosos cartazes em cena nos palcos de Verão portugueses.”

“Em jeito de aquecimento, o primeiro dia de Arcos de Valdevez decorrerá sob o signo da produção britânica. O destaque vai para o circo cacofónico de Mark E. Smith e dos seus The Fall, a lendária banda pós-punk britânica que após mais de 20 anos na estrada se recusa a entregar de mão beijada a sua mescla esquizóide e disfuncional de surrealismo com instrumentos em rota de colisão permanente. Antes actuam os Bentley Rhythm Ace e o seu embrenhado de big beat, hip-hop, funk e música exótica roubada a discos raros comprados nas famigeradas feiras “car boot” inglesas, e os LT.NO, filhos bastardos da união de Gary Glitter com os Nine Inch Nails e de Vince Taylor com os Aphex Twin, cuja música activa samples, desconstrói sons e conspurca circuitos electrónicos.

Os ânimos prometem aquecer no segundo dia do festival, com o palco principal a ser tomado por um trio de bandas estreantes em Portugal. E que bandas! A inaugurá-lo estarão os Cranes, quarteto de Portsmouth nascido numa altura em que a chama gótica estava já reduzida a cinzas e que nem a beleza furtiva da sua música conseguiu arrancar ao esquecimento. Entre o cerimonial fúnebre e a sensualidade austera, uma atenção muito especial para a presença da luxuriante vocalista Alison Show, cuja voz fantasmagórica de criança saída de uma sessão de “Poltergeist” derruba certezas e transforma toda e qualquer esperança num lugar distante. Fértil e poderosa, a máquina sexual dos Delta 72 trará de seguida as últimas propostas do novo rock nova-iorquino a Arcos de Valdevez. O equivalente “rhythm’n’blues” de Jon Spencer e respectivos Blues Explosion troca as margens do delta do Mississipi pela memória histórica dos Rolling Stones e dos Small Faces, mas à imagem de bandas como os Royal Trux – quiçá os grandes ausentes do ano festivaleiro português – e dos Railroad Jerk, os Delta 72 não se esquecem de conspurcá-los às mãos da marmita escaldante da música afro-americana. Uma actuação imperdível, assim como imperdível promete ser a descida às caves lúgubres dos britânicos Death In Vegas. A banda de Richard Fearless e Tim Holmes, actualmente a compor a banda sonora para a sequela de “Seven”, de David Finch, visita casinos em ácido, resgata metodologias de estúdio à Factory dos Velvet Underground e passeia a cacofonia de bandas como os Bauhaus ou os Swans por bosques escuros e labirínticos.

No seu último álbum, o milagroso “The Contino Sessions”, convidam o ouvinte a embarcar numa longa corrida por uma estrada perigosa com um acidente no fim. E como se já não bastasse, Iggy Pop e Bobby Gillespie são apenas alguns dos nomes que vão sentados no banco de trás. Gillespie e os seus Primal Scream são as figuras principais do terceiro e último dia do festival, que à imagem de qualquer ocasião que se quer grande promete ser o maior de todos eles. Espécie de compêndio de luxo que contém em si toda a história da música independente britânica ao longo das duas últimas décadas, os Primal Scream reciclaram o revivalismo “sixties” que pautou a sua fase inicial ao fundirem-no com as modernas texturas dançantes saídas do movimento acid-house, reinante em Inglaterra no final dos anos 80. O inovador “Screamadelica”, de 1992, é guardado como um marco incontornável na década pop britânica, o último grito fusionista que fez descer o rock às pistas de dança e que tornou a música de dança aceite no “mainstream”. Entre fusões neo-psicadélicas, militantismo esquerdista e a ingestão olímpica de drogas psicotrópicas, o último “XTRMNTR” é o exterminador implacável que assaltará o palco principal no último dia de Arcos de Valdevez. Antes actuam os Einstürzende Neubauten, a lendária formação alemã encabeçada pelo também guitarrista dos Bad Seeds Blixa Bargeld. Pioneiros do rock industrial, os Neubauten transformam palcos em fábricas imensas conspurcadas por gases perigosos e ruídos infernais, mas depois de 20 anos a poluirem atmosferas decidiram celebrar a história e reclamar que também o silêncio pode ser “sexy”. “Silence Is Sexy”, o último álbum de Bargeld e demais operários alemães, é o motivo que os traz de volta a Portugal. Teen Spirit, uma banda de versões dos Nirvana para consumo dos saudosos do tempo em que Kurt Cobain ainda não tinha comprado armas – há quem diga que são melhores que os originais… -, e os The Troggs, os míticos “rock’n’rollers” que aos 50 anos de idade continuam a capitalizar com o clássico “Wild thing”, fecham o cartaz do terceiro dia do festival.

Ainda no palco principal, os três dias serão encerrados com a actuação de “dee-jays”, destacando-se neste campo as presenças dos magos britânicos do “drum’n’bass” Grooverider, no primeiro dia, e da dupla Krust e MC Dynamite, no terceiro. Já no palco nacional, a programação de Arcos de Valdevez passa em revista uma série de promessas e de certezas da música independente portuguesa. Stealing Orchestra, Clockwork e Outbreak, no primeiro dia, Atomic Bees, Madame Godard e Table With Random Numbers, no segundo, e Wray Gunn, More República Masónica e Um Zero Amarelo, no terceiro, são as bandas em cartaz. Por tudo isto, vá de vez.

 

Tiago Luz Pedro

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